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Excelência versus Caráter

Leio diversos artigos sobre negócios, gestão, empreendedorismo onde falam da importância da liderança, da boa gestão financeira com fluxo de caixa bem elaborado, da capacidade técnica e da criatividade dos colaboradores. Somando-se a isto tenho observado as vagas disponibilizadas pelas empresas e as características solicitadas são, além da qualificação técnica, trabalho em equipe, boa comunicação, trabalho com prazos apertados. Por isso fico intrigado, pois aprendi que o mais importante é o caráter, mas até agora não o vi como requisito ou critério para a seleção de pessoas.

Segundo Tom Peters, um dos mais conhecidos gurus de gestão de empresas, em materia publicada na Pequenas Empresas Grandes Negócios deste mês, afirma que há uma pré-condição para que a empresa alcance a excelência, o caráter e a honestidade devem fazer parte do comportamento dos líderes e de seus colaboradores.

Depois de um bate-papo com alguns colegas de profissão e de outras áreas, pude constatar que, para algumas empresas, caráter não faz parte dos seus respectivos negócios.

Entre diversos exemplos para citar tenho:

• Um diretor de TI que ordenou a um dos seus colaboradores a remoção direta de registros de um banco dados.
• Um líder de TI de outra empresa que assumiu compromissos com um colaborador e simplesmente desistiu no meio do processo.
• A que empresa negociou com um colaborador um aumento salarial e depois do acordo fechado, simplesmente fez que esqueceu e passado dois meses do prazo estipulado, o colaborador não havia recebido o aumento (talvez isso não seja mais verdade hoje, mas até ontem era).
• Um gerente que solicita a seu subalterno que preste serviços para outras empresas que não a sua contratante no horário do seu trabalho nesta.
• Essa é a melhor, empresa que sofre baixas consecutivas de seu CNPJ junto aos órgãos competentes, rescinde os contratos de seus colaboradores (não paga as multas rescisórias em nome do suposto acordo) e reabre com novo CNPJ.

Não vou entrar em detalhes sobre os impactos das decisões relacionadas, porém tenho certeza de que os prejuízos derivados desses fatos vão muito além dos financeiros, sociais e de imagem, sendo o pior, o exemplo que ficou para os colaboradores.

Provavelmente a imagem que fica para os colaboradores, diretamente envolvidos, é que caráter não é mais necessário, já que os líderes executam suas tarefas sem considerá-lo.

Por fim fica a dúvida, será que está implícito para as pessoas, empresas e organizações de uma forma geral, que todos devem ter caráter? Ou, talvez, tornou-se realmente desnecessário ter caráter, já que líderes e organizações não fazem uso dele?

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Professor de Computação do Instituto Federal Catarinense - Redes, Segurança e Gestão de Projetos

2 Responses to “Excelência versus Caráter”

  • Não se pode perder a fé no caráter e na ética por causa de um indivíduo em posição de liderança que age erroneamente (as vezes ja cumprindo ordens superiores). Se por um lado temos pessoas agindo assim, por outro lado temos pessoas boas que estão observando e a longo prazo as recompensas sempre aparecem.
    o/

  • Juliano,

    concordo contigo, não podemos nos abalar é importante manter a linha. O que me preocupa, é o fato de que esse comportamento possa se tornar algo padrão, como o famoso jeitinho brasileiro.

    E obrigado pela participação.

    []’s